quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O Quarteto de Alexandria,

página 265 - volume 2:



"Minha querida Clea,



Tal como você, tenho que resolver dois problemas intimamente ligados:a minha arte e a minha vida. Na minha vida sou indeciso e mesquinho, mas na minha arte tenho a liberdade de ser o que desejo parecer: um homem capaz de introduzir determinação e harmonia nas existências moribundas que o rodeiam. Na minha arte, sim, pela minha arte, desejo realizar-me, desembaraçando-me da obra, que não tem importância, como uma serpente se desembaraça da pele. É talvez por isso que, no fundo, os escritores querem ser amados mais pela sua obra que por si mesmos - não acha?

Tais são, querida Clea, alguns dos problemas do seu onisciente amigo, um cérebro clássico num coração romântico, que se chama Ludwig Pursewarden."

(Lawrence Durrel em O Quarteto de Alexandria)